terça-feira, 18 de outubro de 2011

Governo investirá R$ 90 milhões em inovação até o fim de 2012

SÃO PAULO – O Governo Federal destinará R$ 90 milhões até o fim do próximo ano para investimentos em projetos inovadores. A informação foi divulgada nesta segunda-feira pelo secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Antonio Rodrigues Elias, após participar de reunião no escritório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo.

Segundo ele, será criada nesta semana a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que terá como objetivo coordenar a interação entre o setor privado, os institutos de pesquisa e o governo para a realização de projetos que tenham como foco a inovação. “Procuramos projetos com relevância e que tragam retorno para a sociedade, embora estejamos atuando com o risco da etapa pré-competitiva. O resultado final demandará certo tempo para aparecer”, disse.

A Embrapii contará com recursos de todos os participantes, na proporção de um terço para cada parte. Dessa forma, deverá dispor de até R$ 270 milhões para investimentos nesta primeira etapa de operação. Os R$ 90 milhões do Governo Federal, segundo Elias, virão do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT).

Em princípio, a Embrapii operará por meio do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e do Centro Integrado de Manufatura e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Cimatec-Senai). “Essas instituições têm o mapa de competência da indústria. Por isso nós nos estruturamos, inicialmente, por elas”, explicou Elias.

As empresas interessadas em desenvolver projetos de inovação deverão entrar em contato com associações de classe, como a CNI, que serão responsáveis pela articulação junto à Embrapii. A expectativa do presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, é de que a rede de institutos de pesquisa participantes da Embrapii cresça significativamente nos próximos meses, podendo chegar a 30. Entretanto, há dúvidas quanto à participação de universidades, já que os centros de pesquisa também deverão contribuir com a Embrapii.

Andrade ressaltou que o Senai vai investir R$ 1,5 bilhão na construção de 34 laboratórios até 2014. Sua expectativa é de que ao menos 30 deles participem dos projetos da Embrapii.

Andrade e Elias evitaram previsões sobre a quantidade de projetos que deverão ser atendidos até o fim de 2012. O secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia, porém, destacou que dentre as áreas que mais deverão ser beneficiadas pela criação da Embrapii estão as de petróleo e gás, biotecnologia, nanotecnologia e tecnologia da informação.

Por Francine De Lorenzo | Valor 18.10.2011

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

As pequenas empresas precisam vender mais



A cada dia, fica mais evidente a importância que as micro e pequenas empresas têm na economia brasileira. Atualmente, existem no Brasil cerca de 6 milhões de micro e pequenas empresas (MPEs). Esse segmento responde por 99% das empresas do país e quase dois terços das ocupações geradas no mercado de trabalho.

Além desses aspectos sociais, as micro e pequenas empresas exercem importante papel nas diversas cadeias produtivas, inclusive de forma interativa com as grandes e médias empresas: ora como fornecedores de produtos e serviços, ora como clientes ou canais de distribuição das grandes companhias.

Sobre esse tema, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) realizou uma pesquisa que mapeia a relação entre as micro e pequenas e as grandes empresas. A amostra foi de 4,2 mil MPEs em todo o território nacional.

É preciso ampliar a inserção das MPEs tanto junto às grandes empresas como nas compras públicas

De acordo com essa pesquisa, 75% das micro e pequenas empresas brasileiras realizam diretamente compras junto às empresas de maior porte, em especial junto àquelas grandes, do comércio atacadista e à indústria de médio e grande porte. Metade dos gastos das MPEs com fornecedores destina-se à aquisição de bens e serviços oferecidos pelos grandes empreendimentos.

Contudo, os pequenos negócios enfrentam dificuldades na ponta compradora, em especial, na hora de negociar preços e condições de pagamento mais favoráveis aos pequenos, já que esses são definidos, na maioria das vezes, de forma unilateral, pelas grandes companhias. Aqui, uma possível solução seria a ampliação de uma atuação mais integrada entre os próprios pequenos negócios, por exemplo, por meio de compras conjuntas, o que, segundo a pesquisa, só é feito por 6% das MPEs.

Na posição de fornecedores das grandes corporações, as MPEs mostram uma situação menos favorável. Apenas 37% delas vendem às médias e grandes, o que representa 16% do seu faturamento. Aqui, reside a necessidade de maiores avanços por parte dos pequenos negócios.

A pesquisa mostra, por exemplo, algumas falhas de estratégia por parte das MPEs que precisam ser corrigidas. São poucas as que definem uma estratégia de vendas diferenciada e específica quando se trata de vender às grandes, o que pode ser um fator limitante às vendas. Uma atenção mais focada nas necessidades específicas desses clientes poderia, inclusive, viabilizar margens de lucro mais elevadas. Mais uma vez, a atuação conjunta e integrada, entre os pequenos, aliada a uma melhoria na qualidade de seus produtos e serviços, poderia viabilizar o interesse dos grandes negócios na aquisição de produtos e serviços oferecidos pelos pequenos.

Assim, a melhoria técnica e da qualidade dos produtos e serviços dos pequenos negócios e atuação integrada desses visando escalas maiores, seja na hora da compra ou da venda às médias e grandes, se mostram como os principais meios para viabilizar a expansão dos negócios entre os grandes e pequenos empreendimentos.

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O Sebrae está atento para essas questões e já dispõe de programas que atuam nessa direção. Por exemplo, até 2013 o Sebrae irá destinar R$ 780 milhões exclusivamente a programas com foco na inovação nas micro e pequenas empresas. O atendimento é proativo, com uma equipe que até dezembro terá mil agentes locais de inovação, jovens profissionais que visitam as empresas para fazer um diagnóstico e identificar oportunidades de inovação em produtos e processos. Em seguida, os empresários são direcionados ao Sebraetec, programa específico de consultoria tecnológica para resolução de problemas nas empresas, subsidiando até 80% dos custos com as soluções de inovação.

No campo da cooperação entre empresas, mais de 150 núcleos setoriais estão sendo articulados em todo o país, estimulando a capacitação técnica e tecnológica, o associativismo e o cooperativismo.

Uma terceira linha de atuação que está crescendo são parcerias com grandes companhias visando inserir micro e pequenas empresas em sua cadeia de valor. Um exemplo, é o convênio com a Petrobras, que já beneficiou mais de 6 mil micro e pequenos empreendimentos, em 15 estados. As ações dos projetos, que são realizados em territórios onde a Petrobras atua, estão agrupadas em quatro focos estratégicos: inteligência competitiva, cultura da cooperação, desenvolvimento de fornecedores e inovação e promoção de negócios.

Entre os resultados dos projetos, destacam-se o aumento de 25% no faturamento dos pequenos negócios participantes e a ampliação expressiva dessas empresas no cadastro de fornecedores da Petrobras e da Organização Nacional da Cadeia do Petróleo (ONIP). Com o mesmo objetivo, o Sebrae firmou um convênio com a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), que se estenderá até 2014.

Outra informação relevante levantada pela pesquisa é que apenas 20% das MPEs vende para o setor público e apenas 4% do faturamento das MPEs advém das vendas ao governo. Esse dado permite inferir que é preciso reforçar as ações de ampliação dos pequenos negócios no volume total das compras públicas. No país, mais de 3 mil municípios já regulamentaram sua Lei Geral das Micro e Pequenas Empresas. Em certo sentido, isso tende a favorecer a participação dos pequenos negócios nas vendas ao governo. No entanto, os dados disponíveis revelam não apenas a necessidade de ampliar o número de municípios com Lei Geral regulamentada, como a necessidade de tornar as legislações municipais já existentes mais eficazes em termos de viabilizar o acesso dos pequenos empreendimentos às compras públicas.

É preciso, portanto, ampliar a inserção dos pequenos negócios tanto junto às grandes empresas do setor privado quanto nas compras públicas. Os pequenos precisam vender mais. A ampliação das vendas dos pequenos é condição indispensável ao seu sucesso, devendo ser essa uma das prioridades das organizações de apoio aos pequenos negócios e aos formuladores de políticas públicas.

por:
Luiz Barretto é diretor presidente do Sebrae Nacional.
Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae São Paulo.
Valor 17.10.2011

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Federal do ABC aposta em pesquisa, e 100% dos professores são doutores




Gustavo Dalpian, vice-reitor da Universidade Federal do ABC, no prédio de Santo André: projeto pedagógico está sendo "exportado" para outras instituições

Em cinco anos de existência, a Universidade Federal do ABC (UFABC), em Santo André, coleciona uma série de indicadores dificilmente encontrados em uma instituição de ensino superior ainda em processo de estruturação. É a única universidade brasileira com 100% do quadro de 425 professores titulados com doutorado - com mais de 75 anos de história, a Universidade de São Paulo (USP) tem 96% de doutores à frente das aulas e pesquisas. A universidade do ABC adota postura agressiva em relação à pesquisa: em cinco anos abriu 14 programas de pós-graduação, e seus pesquisadores publicaram cerca de mil artigos científicos, com ênfase em estudos sobre nanociências, neurociências e cognição, simulação computacional, novos materiais e energia.

A UFABC também lançou no país o modelo pedagógico dos bacharelados interdisciplinares (BIs), graduação com três anos de formação geral, com uma grade curricular livre, seguida de curso de formação específica, como engenharias, licenciaturas ou ciências da computação. Um desses bacharelados, o de ciência e tecnologia, foi o curso mais procurado em 2011 no sistema unificado de seleção pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), com 16,3 mil inscrições para 1,5 mil vagas, média de 11 candidatos por vaga.

Para o vice-reitor da universidade, o físico Gustavo Martini Dalpian, os bacharelados interdisciplinares são a maior prova de que, dentro da política de expansão do ensino superior federal, "a UFABC está dando certo". "O projeto pedagógico foi desenvolvido cuidadosamente e com o objetivo de inovar. Quatorze universidades federais passaram a utilizar o mesmo modelo de bacharelados interdisciplinares, instituições particulares vêm conversar com a gente para tentar entender e eventualmente implantá-lo. A Escola Politécnica da USP criou um grupo de trabalho, do qual participa o nosso reitor [Helio Waldman], com o objetivo de reformular o currículo das engenharias, e uma alternativa é instituir um programa multidisciplinar semelhante ao BI para um curso inicial. É um indicador claro de que a proposta é boa e promissora", avalia Dalpian.

"O curso é pesado, tem muito cálculo, física e computação. Já cansei de ficar por aqui estudando de manhã, à tarde e à noite", relata Cláudia Januário, formada no bacharelado interdisciplinar de ciência e tecnologia e em licenciatura focada em química. A estudante conclui no fim do ano a especialização em química, que completa o ciclo de formação iniciado no bacharelado, e já está se preparando para emendar um mestrado sobre biologia molecular na própria UFABC.

"Aqui o aluno se torna o gerente da própria carreira, um físico pode saber muito de biologia, um engenheiro pode se especializar em física", acrescenta o professor José Fernando Queiruga Rey, coordenador do bacharelado de ciência e tecnologia. "Montei meu currículo e fiz licenciatura junto com o bacharelado porque pretendo dar aulas na educação básica, mas ultimamente eu só tenho ficado no laboratório", conta Cláudia, que está decidida a seguir carreira acadêmica. "Não dá para entender como não existia uma grande universidade pública por aqui com tanta empresa em volta. Na área química tenho vários amigos estagiando."

Marco Camargo, formado nas primeiras turmas do bacharelado interdisciplinar e atualmente estudando engenharia de instrumentação, automação e robótica, está na quarta etapa de seleção para uma vaga de trainee na Siemens. Ele conta que "sofreu" no início do curso: "As turmas atuais estão mais bem servidas, com aulas de revisão para matemática e cálculo e uma infraestrutura muito melhor."

Como ocorre na maior parte das universidades que estão no processo de expansão, os atrasos nas reformas são sempre lembrados pelos estudantes. Há duas semanas, nas comemorações dos cinco anos da fundação da UFABC, o ministro da Educação, Fernando Haddad, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não escaparam de sonoras vaias de um grupo de 50 estudantes, que protestavam contra o atraso nas obras da instituição e por melhorias em algumas políticas universitárias, como assistência estudantil. Ricardo Senese, presidente do Diretório Central de Estudantes (DCE), atenta para o problema envolvendo os cursos de engenharia, considerados carro-chefe da universidade. "Os prédios de salas de aula e laboratórios das engenharias não saíram do chão."

Apenas dois prédios e o restaurante universitário do campus principal, em Santo André, estão prontos. No campus São Bernardo do Campo, onde se concentram os bacharelados interdisciplinares voltados para humanas, as aulas ocorrem em espaço cedido pela prefeitura local. Mesmo assim, as instalações são novíssimas e modernas.

Na sede as salas de aulas têm ar-condicionado e projetores e os laboratórios são amplos, mas é possível notar carteiras usadas pelos alunos ainda embaladas em plástico, equipamentos encaixotados, e os laboratórios de ensino e pesquisa ainda não funcionam em plena capacidade. "O sistema de tubulação de gás, que permite o manuseio de maçaricos, ainda não chegou aqui", conta um monitor de laboratório.

Segundo o vice-reitor, os dois blocos de oito andares abrigam satisfatoriamente os mais de 5,5 mil alunos atualmente matriculados. De fato, o espaço físico de proporções gigantescas indica que a universidade está sendo preparada para acolher mais de 10 mil estudantes nos próximos anos.

"Entregamos 50 mil metros quadrados de instalações, 80% do projeto original. A empreiteira não cumpriu o cronograma do contrato e perdeu o trabalho. No momento estamos fazendo nova licitação para mais 50 mil metros quadrados de obras, que contemplam um ginásio de esportes, um teatro, um torre de caixa d'água, um bloco anexo para laboratórios, salas para professores e estacionamento, além da marquise que vai cobrir toda a área externa", explica Dalpian.
Valor 10.10.11

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Aposta na inovação



De acordo com o novo presidente da Bosch América Latina, Besaliel Botelho, inovação é um dos principais motores para expansão dos negócios do grupo globalmente. Por dia, o grupo de origem alemã registra 15 patentes, ritmo que garantiu à companhia a primeira posição no ranking de patentes da Alemanha e o terceiro lugar no ranking mundial, segundo a companhia.

Anualmente, afirmou Besaliel, o grupo aplica € 3,8 bilhões em pesquisa e desenvolvimento. No ano passado, o faturamento da Bosch totalizou € 47,3 bilhões, uma alta de mais de 20% na comparação com o verificado em 2009, ano influenciado pela crise iniciada em 2008. Em 2010, deve superar pela primeira vez a marca de € 50 bilhões e chegar à marca de 300 mil funcionários em todo o mundo.

"A Bosch é uma empresa muito fundamentada em inovação", disse o executivo brasileiro, já à frente da presidência da operação latino-americana.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Fundo vai subsidiar inovação no Centro-Oeste

A partir de hoje, os empresários da região Centro-Oeste que quiserem tomar um empréstimo para investimentos em inovação terão à disposição uma linha de crédito subsidiado, com juros de 5,7% a 8,5% ao ano, e cinco anos de carência. Trata-se do Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste (FCO), que lança linha específica ao financiamento de investimentos, capital de giro e compra de insumos para ciência, tecnologia e inovação. Com R$ 15 bilhões em carteira e metade do aporte de R$ 4,8 bilhões que o Tesouro fez no início deste ano à disposição, o FCO inicia, aos poucos, a transição para um modelo de financiamento que o governo Dilma Rousseff incumbiu aos operadores de crédito público no país, focado na inovação, especialmente à indústria. Administrados pela Superintendência do Desenvolvimento do Centro-Oeste (Sudeco) e pelo Banco do Brasil (BB), os recursos do FCO serão disponíveis a qualquer empresa que apresentar um projeto de inovação, independentemente do setor. Para o microempresário que tomar empréstimos de até R$ 240 mil, os juros serão de 5,7% ao ano. Já os empréstimos que superarem R$ 35 milhões terão juros de 8,5% ao ano. Todas as modalidades terão a mesma carência - de cinco anos para crédito ao investimento e três anos para capital de giro - e o mesmo prazo, que vai de 15 a 20 anos, para o pagamento do principal. A Sudeco estima que nos primeiros meses de operação, a demanda ficará entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões. Mas, segundo Marcelo Dourado, diretor-superintendente da Sudeco, a crescente mobilização dos agentes de crédito e do governo federal como um todo em torno de inovação deve aumentar a demanda. "O governo está, em diferentes frentes, aumentando fortemente os esforços na consolidação de uma cultura de inovação nas empresas", diz Dourado, que acredita que "isso vai se impregnar no país nos próximos anos". O principal foco da Sudeco, com a nova linha de financiamento é incentivar a criação de um parque tecnológico na região. "O Centro-Oeste não tem nenhum parque tecnológico implantado, enquanto apenas o Nordeste tem quatro, sendo dois muito recentes [Camaçari, na Bahia, e Suape, em Pernambuco]", afirma Dourado. "A área ao nordeste do Estado de Goiás é propícia a um parque de energia eólica, por exemplo", diz ele, para quem os recursos devem servir para "impulsionar as vantagens comparativas" da região. O equivalente a 58% do total de recursos que são repassados anualmente pelo Tesouro ao FCO são divididos igualmente pelos Estados de Goiás e Mato Grosso, onde estão concentrados os maiores produtores da região. Outros 23% vão para os empresários do Mato Grosso do Sul e o restante para empresas do Distrito Federal. Criado pela Constituição de 1988, o FCO viu seu orçamento saltar nos últimos anos - saiu de R$ 3,1 bilhões em 2009 para R$ 4,8 bilhões neste ano. Como, no entanto, não empresta todos os recursos que recebe dos cofres públicos, o FCO tem em caixa cerca de R$ 15 bilhões.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Parceria é saída para crescer em inovação

Uma maior integração entre as empresas de inovação na área de biotecnologia, que abrange sobretudo as indústrias farmacêuticas, biocombustíveis e de defensivos, e grandes corporações pode ser uma das saídas para o avanço dessas pequenas companhias focadas em pesquisa no Brasil. O estudo "A indústria de biociências nacional: caminhos para o crescimento", co-desenvolvido pela Biominas Brasil e PricewaterhouseCoopers (PwC), que será divulgado hoje, aponta as principais perspectivas para esse segmento. "Tradicionalmente, a Biominas desenvolve estudos, mas sempre de diagnóstico, voltados para o passado. Desta vez, é mais analítico, com base nas perspectivas futuras para essas empresas", diz Isabela Drummond, gerente de consultoria da Biominas, uma das responsáveis por esse estudo. Criada há 20 anos, a Fundação Biominas, uma entidade privada sem fins lucrativos, prospecta projetos em todo país com foco em inovação. O estudo foi realizado com base em questionários respondidos por 103 empresários desse setor. Para 62,9% dos entrevistados, o desenvolvimento e a comercialização de produtos e serviços inovadores constitui principal parâmetro de sucesso de um empreendimento. O perfil de faturamento desse setor mantém-se relativamente estável, composto em sua maioria por empresas que faturam até R$ 1 milhão por ano. Os principais desafios para alavancar o crescimento desse segmento devem passar por uma gestão profissional e de planejamento estratégico, e um processo regulatório mais ágil e ambiente de financiamento mais inclusivo. "A capacidade de poder de desenvolvimento e inovação dessas empresas é muito forte", afirma Isabela, da Biominas. Rodrigo Viñau, gerente sênior da PwC, observa que as empresas de inovação instaladas no país não aproveitaram o ótimo momento da economia brasileira e as medidas governamentais para alavancar o crescimento da indústria. Em um cenário adverso com alta carga tributária, falta de ambiente regulatório e restrição de crédito, as empresas precisam buscar parcerias com entidades privadas de grande e médio porte. Contudo, ele observa, faltam canais para viabilizar essa interação. Viñau afirma que casos de sucesso surgem da parceria com entidades privadas, que além de aportarem recursos financeiros e transferirem infraestrutura, agregam valor trazendo para a parceria profissionais com experiência na gestão do negócio e na comercialização do conhecimento. "Apesar das restrições para obtenção de patentes [longo prazo para concessão, legislação restritiva e dificuldade de acesso à biodiversidade brasileira], cresce o número de pedidos seja nacional ou internacional", afirma. A concentração de doutores e cientistas nas universidades e institutos de pesquisa faz com que haja uma concentração do depósito de patentes (67%) em nome dessas organizações. O estudo realizado em parceria entre a Biominas e PwC mostra ainda que, apesar da dependência de fontes de recursos não reembolsáveis e do capital próprio para realização de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D), as empresas que adotaram o caminho das parcerias corporativas têm obtido bons resultados, porque vem acompanhado de suporte gerencial e direcionamento estratégico " Cabe destacar o número bastante limitado de fundos de capital semente e de venture capital dispostos a investir no setor de biociências", observa Viñau. Esse setor também sofre com o "apagão" de mão de obra especializada. O maior gargalo atualmente concentra-se na disponibilidade de pesquisadores aptos a atuar na área de desenvolvimento, convertendo conhecimento em inovação tecnológica, e de profissionais com competências multidisciplinares e experiência para atuar na comercialização do conhecimento. Valor / Por Mônica Scaramuzzo | De São Paulo / 19.9.2011

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Embrapa da indústria começa com R$ 30 milhões

O ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante: foco do repasse de recursos será a demanda e dependerá da carteira de projetos de inovação.
O governo vai criar, dentro de um mês, a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), a grande aposta do governo Dilma Rousseff para fortalecer a indústria brasileira diante da competição com produtos importados de alto teor tecnológico. A Embrapii contará, já de partida, com R$ 30 milhões para emprestar a três institutos de pesquisa já conveniados. O capital da empresa receberá um aporte duas vezes maior no ano que vem, cumprindo a meta traçada pelo governo federal de destinar R$ 90 milhões para pesquisa industrial entre o último trimestre deste ano e o fim de 2012.

Largamente baseado no sucesso da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), criada em 1973, no auge do milagre econômico, e na alemã Fundação Fraunhofer, a Embrapii, no entanto, não será uma companhia estatal. Diferentemente da Embrapa, que ao longo deste ano consumirá um orçamento de R$ 1,8 bilhão e conta com 9,2 mil funcionários, a Embrapii terá gestão enxuta e não contará com um corpo de pesquisadores. Funcionará como um "selo certificador" dos institutos habilitados a operar junto à indústria.

De partida, a Embrapii já conta com três institutos conveniados, isto é, habilitados a receber recursos públicos. A partir de outubro, o Instituto Nacional de Tecnologia (INT), no Rio de Janeiro, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial da Bahia (Senai-Cimatec), receberão R$ 10 milhões cada. A meta do governo é atingir 30 institutos até o fim de 2014, o que representará um orçamento total de R$ 270 milhões a R$ 300 milhões em três anos.

"O foco do repasse de recursos será a demanda", afirma o ministro Aloizio Mercadante, da Ciência, Tecnologia e Inovação, a pasta que coordena os trabalhos em torno da nova empresa. "A Embrapii fechará um contrato de gestão com o instituto de acordo com a carteira de projetos de inovação coletada junto às fábricas", explica.

O modelo de gestão da Embrapii já está definido. A nova empresa entrará com o equivalente a um terço dos recursos necessários a cada projeto, e o restante será dividido entre o instituto conveniado e a própria fábrica interessada na inovação. Na semana passada, os técnicos do governo fecharam o Termo de Referência (TR) da companhia, que funcionará como "projeto piloto" nos primeiros 18 meses, período em que o agente operador será a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Isto é, os técnicos do ministério trabalharão com os especialistas da CNI na definição dos institutos que receberão os recursos. Até lá, a Embrapii não vai imobilizar capital - a empresa não terá uma sede até o início de 2013.

"Criamos um novo modelo operacional, que é em si inovador, algo que queremos fomentar na indústria", diz João Fernandes de Oliveira, diretor-presidente do IPT, que falou ao Valor logo após a reunião com técnicos do governo em que se consolidaram os procedimentos iniciais da nova empresa. "Vamos pagar por desempenho, pelo resultado concreto de atendimento que cada instituto desenvolver com a indústria, pelo volume de empresas e capacidade de contrapartida ao Estado", diz Mercadante, "e seria impossível realizar isso tudo com uma estrutura pesada", diz.

Os primeiros três institutos foram selecionados pelo governo por atender às demandas que a partir do mês que vem serão da Embrapii. Segundo Mercadante, no IPT há expertise em modelagem de navios, o INT conta com forte know-how no complexo industrial de petróleo e gás e o Senai-Cimatec conta com laboratórios especializados em automação e logística fabril. "O instituto que oferecer mais, em pessoal, infraestrutura e número de empresas interessadas, receberá mais", afirma o ministro.

Para Rafael Lucchesi, diretor-geral do Senai, a Embrapii vai "começar a alterar" o equilíbrio construído pela equipe econômica do governo entre a política macroeconômica e a política industrial. "A política industrial é subordinada à política macroeconômica, que busca condicionar crescimento e inflação controlada, algo crucial, sem dúvida, mas que tem tirado o fôlego dos incentivos à indústria", avalia Lucchesi, para quem esse desequilíbrio tem levado a um processo de desindustrialização no país. "A Embrapii nasce em momento oportuno, em que ainda é possível fazer essa virada, e a saída evidente é por meio da inovação".

Os técnicos envolvidos na criação e gestão da nova empresa pública entendem que a Embrapii ocupará o espaço mais sensível para a inovação industrial - o custeio dos projetos. "Uma empresa que apresentar seu projeto a um instituto conveniado pela Embrapii gastará apenas um terço do que gastaria com seu projeto de inovação, porque todo o resto virá do instituto e do governo", afirma Lucchesi.
Valor 12.9.2011